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Ernesto Valverde retorna ao Camp Nou após quase 30 anos com uma missão


 Se o lado branco do país vive grande momento, a Catalunha não pode gozar das mesmas festas. O Barcelona chegou a sonhar com muitos nomes, como Tuchel, Sampaoli, Allegri e outros, mas foi Ernesto Valverde quem ficou com a missão. Conheça o novo técnico do clube catalão e modelo de trabalho.



 Para falarmos do futuro trabalho do espanhol de 53 anos, precisaremos voltar um pouco, e lembrar como foi a temporada do Barça de Luis Enrique.

 A equipe blaugrana sofreu na atual temporada, o coletivo, foi pobre, e taticamente, o time chegava a parecer um catadão em campo. Desanimador. Se tratando de contração, um exemplo: O clube torrou 35 milhões em André Gomes. Não deu certo. O sistema defensivo voltava a falhar constantemente e principalmente era nítido como o time sentia a ausência de Dani Alves. No meio, Iniesta já não mais aquele jogador top-de-linha como anos atrás. Rakitic, que dialogava muito com Dani Alves, foi outro que teve uma queda brusca de rendimento. Na frente, o trio M-S-N. Neymar não foi Neymar, Suárez foi abaixo do seu nível e Messi nem sempre vai salvar.

(Não deu para fazer dois milagres: O Barça caiu para a Juve
logo nas Quartas de final)

 O Barcelona não terminou a temporada de mãos vazias, é bem verdade, mas pergunte para qualquer torcedor catalão, e ele lhe dirá que troca a Copa do Rei pela La Liga ou pela Liga dos Campeões. Além do mais, viram o arquirrival conquistar o histórico Bi campeonato da Liga dos Campeões e ainda levaram a La Liga para casa e pessoalmente, Lionel Messi verá Cristiano Ronaldo pegar mais uma Bola de Ouro e enfim igualar com ele nas conquistas individuais.

O clube segue a risca sua filosofia. O apreço pelas categorias de base e os ensinamentos do 'Més que un club': O Barça foca em quem já passou pelo Camp Nou, conhecendo bem a casa e não possuindo status de estrela e muito menos rebuliço no mercado.

(Os últimos homens que passaram pelo comando do Barça)

 Rijkaard, indicado pelo próprio Johan Cruijff. Josep Guardiola, ex-jogador do clube, técnico dos times B do Barcelona. Tito Vilanova, auxiliar do anterior. Tata Martino, não atuou pelo clube, mas tinha certa relação com o craque Lionel Messi, além do mais, veio em momento em que Tito cuidava de um câncer. Mais um técnico sem nome na Europa. Por último, Luis Enrique, ídolo enquanto jogador e trabalho bem feito com o Celta levaram o técnico ao Barça.

 Ernesto Valverde não foge disso. Atuou pelo próprio Barcelona entre 1988 e 1990, sendo treinado pelo lendário Johan Cruijff. 

(Valverde retorna a Catalunha)

 O escolhido da vez é uma pessoa muito tranquila, não tem nada de temperamento explosivo, ou de técnico que acaba criando um desconforto na mídia com entrevistas polêmicas e esquentadas. Algo positivo para o clube e que obviamente irá acarretar em uma boa gestão de grupo. O mesmo, por exemplo, assumiu um Valencia em crise, e soube sair do momento conturbado do clube. Tarefa nada fácil.

 Além do mais, Valverde gosta e sabe utilizar a base. No time basco, foi ele quem ajudou Laporte, Ander Herrera, Muniain, Iñaki Williams a darem seus primeiros passos. Até porque, o Athletic só aceita jogadores bascos. Ou seja, ou você sabe trabalhar com o que tem, ou você não serve. Ir ao mercado e buscar opções caras e jogadores badalados em outros países? Nem pensar.

 Não vá esperar um Guardiola 2.0, embora Ernesto goste de jogar com a bola no pé e com paciência. O treinador se caracterizou por dar qualidade as saídas de bola, algo que caso consiga passar para os jogadores do Barcelona, será de grande utilidade.

 Ele não só deu continuação ao bom trabalho de Bielsa como também melhorou: Seu Bilbao era intenso e de muita pressão. Como mencionado acima, Valverde é descontraído, solto, um técnico muito tranquilo, diferente de 'El Loco Bielsa'. O que facilita ainda mais que seus comandados se expressem tanto dentro, como fora de campo.

 Voltando um pouco no tempo, lá em 2007, Valverde se destacou treinando a equipe do Espanyol. Um time com muita qualidade e que seu técnico não abriu mão de um "9". Nesse tempo, seu time chegou até a final da Copa da UEFA, mas sucumbiu perante ao forte Sevilla de Daniel Alves.

 O espanhol também passou por Olympiakos, Villarreal, Olympiakos (novamente) e Valencia (como citado anteriormente). E em 2013 retornou ao Bilbao, para dar seguimento ao trabalho de Marcelo Bielsa.

(Os métodos de trabalho do novo técnico do Barça)

 Na primeira temporada sem Bielsa, o time de Valverde praticou um futebol nada agradável, mas, incrivelmente, vencia os seus jogos, acumulando pontos o suficiente. No returno, a equipe enfim se acertou e o time jogou para valer, conseguindo até mesmo a classificação para os Play-Offs da Liga dos Campeões. Venceu o Barça, e segurou o Real Madrid.

 Como curiosidade, vale mencionar: Ernesto Valverde nunca deixou o Ahtletic Bilbao fora dos sete primeiros na La Liga. Em 2013-2014 (4º), 2014-2015 (7º), 2015-2016 (5º) e em 2016-2017 (7º). 

 Como mencionado acima, Valverde por trabalhar com o Bilbao e seu 'orgulho Basco', precisava dar atenção a base, e nisso, ele sempre se saiu bem. Sabe trabalhar com as categorias de base e isso pode agregar muito ao Barça, ainda mais, se Ernesto optar por dar mais minutos ao talentoso Carles Aleñá.

 Mas e taticamente? O ex-treinador do Athletic se assemelha a Luis Enrique? Vejamos.

(O ex e o atual técnico do clube culé)

 Valverde é adepto do 4-2-3-1 (embora goste também de utilizar o famoso 4-3-3) e se caracteriza pela marcação alta, forte pressão e boas triangulações. O time basco era montado com Beñat e San José protegendo a zaga, que era composta pela dupla Laporte-Yeray. Nas laterais, Balenziaga e de Marcos. Na frente, uma linha de três: Susaeta, Raúl Garcia e Iñaki Williams tendo Aduriz mais a frente, como referência. Um ponto a se mencionar aqui, é que a sua equipe também tinha a característica de arremessar diversas vezes a bola para a área, confiando no alto Aduriz.

Veja nas imagens abaixo a pressão alta da equipe de Ernesto Valverde:


(De calção branco e camisas listradas, o Athletic Bilbao bateu
o Borussia Dortmund em amistoso em 2016)

 É marca registrada das equipes de Valverde, em diversos jogos essa tática era utilizada. Até mesmo contra o Barcelona (no qual o próprio Valverde se sagrou campeão em cima, aplicando uma sonora goleada por 4x0).


(Pela Copa do Rei 2015-2016, o Barça bateu Valverde por 3-1)

 Contra o Barça, essa imagem foi vista diversas vezes. O Athletic subia a marcação e sufocava o Barça, obrigando o time catalão a sair dando chutões para frente.

(O Barcelona é um das vítimas da pressão dos bascos)
(Athletic Bilbao 4x0 Barcelona)

 Finalizando, Ernesto Valverde terá um árduo trabalho pela frente. O Barça já não tem o mesmo poderio no meio de campo que tinha anos atrás, o mágico Andrés Iniesta, não vai aparecer todos os jogos. Dará seus lampejos, e vai ajudar de uma forma ou outra, mas não será aquele craque absurdo que conhecemos em outros tempos. Rakitic, precisa de alguém para dialogar, e Busquets, ainda pode render algo, mas é mais um caso daqueles jogadores que precisam de auxílio. Se ele tiver, vai render bons frutos ainda, levando em conta que não é um jogador de idade avançada.

 Mascherano também já não é aquele jogador, a idade chega para todos, e é por isso que Valverde e o Barcelona terão um longo trabalho pela frente. Mais atrás, fica um ponto positivo para o Barça: Umtiti. Grande temporada do francês, que se tornou prova viva de que não é preciso torrar milhões e contratar craques. É jovem, talentoso e tem um grande futuro pela frente.

 Pelo lado de campo, rumores não faltam. Bellerín e Semedo foram cogitados no clube segundo jornais. Jogadores do quilate de Coutinho e Verratti, também. Recentemente, Ousmane Dembele e Di María foram apontados como alvo do clube.

 Valverde é um cara conservador, preza por uma boa defesa, seus times possuem qualidade na saída de bola e embora soe pragmático em alguns momentos, a torcida terá de aturar. Ainda mais se o homem obter resultados.

 O Barcelona precisa recuperar sua alma, repor as eventuais saídas e voltar a ser temido e competitivo como foi tempos atrás. Ernesto Valverde está ciente disso e também sabe que tem pela frente a missão de frear o avanço Blanco em território europeu e também espanhol.
















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